O ano de 2026 começa com um clima diferente na Vila Belmiro. Depois de uma temporada marcada por tensão, instabilidade e o fantasma do rebaixamento rondando até as últimas rodadas, o Santos tenta virar a página apostando em dois nomes que carregam peso simbólico, técnico e emocional: Neymar e Gabigol. A dupla, que já escreveu capítulos importantes da história recente do clube, surge agora como a principal engrenagem de um projeto que busca mais equilíbrio, competitividade e identidade.

A volta do Santos à Série A, após o traumático rebaixamento, esteve longe de ser tranquila. O clube passou boa parte do campeonato brigando na parte de baixo da tabela, convivendo com cobranças da torcida, limitações do elenco e uma pressão constante por resultados. Nesse cenário, o retorno de Neymar à Vila Belmiro teve um significado muito além do futebol. O ídolo voltou não para brigar por títulos, mas para ajudar o clube a sobreviver, um gesto que, apesar de controverso para alguns, reforçou o vínculo emocional entre o camisa 10 e o Santos.
Neymar renovou contrato até o fim de 2026 e tem reapresentação prevista para o início de janeiro, após passar por uma artroscopia no joelho esquerdo. Mesmo atuando com limitações físicas em parte da temporada passada, o atacante terminou o ano em alta, sendo decisivo em jogos-chave que garantiram a permanência do Santos na elite. Sua presença em campo alterou o comportamento do time, trouxe mais confiança ao elenco e reacendeu a esperança do torcedor.

Além do impacto esportivo, Neymar encara 2026 como um ano crucial em sua carreira. A disputa da Copa do Mundo aparece como objetivo central, e o desempenho no Santos será determinante para sua condição física, ritmo de jogo e retorno à Seleção Brasileira. Dentro do clube, a expectativa é que, com uma pré-temporada completa e melhor condição clínica, o camisa 10 consiga ter maior regularidade e protagonismo.
Outro movimento que mexeu com o ambiente santista foi o retorno de Gabriel Barbosa, o Gabigol. Emprestado pelo Cruzeiro, o atacante volta à Vila Belmiro em busca de reconstrução. Aos 29 anos, ele reconhece que viveu um período irregular e vê no Santos a chance de retomar confiança, protagonismo e conexão com a torcida. A identificação pesa: foi no clube que Gabigol explodiu para o futebol brasileiro e europeu.

A parceria com Neymar é vista internamente como um trunfo. Amigos fora de campo, os dois já demonstraram sintonia dentro das quatro linhas, algo que o Santos espera transformar em gols, assistências e decisões importantes. Em declaração recente, Gabigol foi direto ao admitir o momento pessoal: “Talvez eu precise mais do Santos do que o Santos de mim”. A frase resume bem o espírito desse reencontro.
Até agora, a renovação de Neymar e a chegada de Gabigol são as grandes apostas da diretoria. O clube ainda monitora o mercado, com nomes como Rony, do Atlético-MG, sendo avaliados para reforçar o ataque. Ao mesmo tempo, uma reformulação foi iniciada, com as saídas de jogadores como Guilherme, Luiz Felipe, Messias, Sandry e Rodrigo Fernández, abrindo espaço para um elenco mais ajustado ao novo momento.

O calendário de 2026 também promete ser mais desafiador. Após dois anos, o Santos volta a disputar uma competição continental, a Copa Sul-Americana, o que amplia a quantidade de jogos e exige mais profundidade do elenco. A diretoria trata o torneio como uma oportunidade de recuperar protagonismo internacional e, ao mesmo tempo, testar a consistência do time ao longo do ano.
A temporada começa oficialmente pelo Campeonato Paulista, contra o Novorizontino, na Vila Belmiro. Mais do que o resultado, o jogo simboliza o início de um novo ciclo. Com Neymar renovado, Gabigol de volta e um calendário cheio pela frente, o Santos não promete euforia, mas aposta em algo que faltou recentemente: estabilidade, identidade e a chance real de construir um ano menos turbulento, e mais fiel à sua história.
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