
O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira, 28 de outubro, uma carta na qual contestou sua derrota nas eleições presidenciais de 2026 e chegou a se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. O documento foi publicado após sua chegada aos Estados Unidos, para onde viajou com a família depois de perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No texto, o parlamentar agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido durante sua saída do território brasileiro.
A primeira versão da carta, compartilhada por aliados, apresentava Flávio como presidente eleito, apesar do resultado oficial das urnas. Cerca de meia hora depois, o documento foi republicado com uma alteração importante: a expressão foi substituída por “líder do Brasil”. A mudança não retirou as acusações contra a Justiça Eleitoral nem as críticas dirigidas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nas eleições de domingo, 25 de outubro, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença aproximada de 4,4 milhões de votos. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não foram apresentadas provas de fraude capazes de colocar em dúvida a apuração.
Flávio questiona votação e critica ministros do STF
Na carta, o senador atribuiu parte de sua derrota à decisão do ministro Cristiano Zanin de ampliar o horário de votação até as 19h. Flávio afirmou que a medida teria prejudicado a igualdade entre os eleitores e possibilitado uma alteração indevida no resultado. Entretanto, a prorrogação atendeu a solicitações das campanhas de Lula e do próprio Flávio Bolsonaro, diante de problemas relacionados ao transporte de eleitores.
Segundo informações do TSE, apenas 34.330 votos foram registrados depois das 17h, quantidade insuficiente para modificar a diferença entre os candidatos. A Justiça Eleitoral não identificou irregularidades que sustentassem as acusações apresentadas pelo senador.
Flávio também defendeu a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin, alegando abuso de poder político e econômico. Essas acusações fazem parte dos questionamentos apresentados por sua candidatura, mas não representam decisões judiciais reconhecendo irregularidades.
O parlamentar dirigiu críticas ainda ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela determinação de entrega de seus passaportes pessoal e diplomático. A medida foi solicitada pela Polícia Federal no âmbito de investigações que envolvem o senador, incluindo suspeitas relacionadas a operações financeiras. A existência dessas investigações não significa condenação, e Flávio nega ter cometido crimes.
Senador promete liderar oposição dos Estados Unidos
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu após a decisão judicial que restringia sua possibilidade de deixar o país. O senador passou pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos, onde desembarcou com familiares na manhã desta quarta-feira.
Na carta, Flávio rejeitou a descrição de que teria fugido e afirmou considerar sua situação uma perseguição política. Ele também agradeceu ao governo americano pelo acolhimento e declarou que pretende permanecer politicamente ativo fora do território brasileiro.
CARTA À NAÇÃO BRASILEIRA 🇧🇷 28.10.26 https://t.co/QqOGZuF8G0
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 28, 2026
“Liderarei a oposição daqui”, afirmou o senador, anunciando que continuará se pronunciando sobre os acontecimentos políticos nacionais a partir dos Estados Unidos. O parlamentar também pediu atenção da comunidade internacional à situação brasileira e prometeu manter contato com seus apoiadores.
A divulgação provocou repercussão entre integrantes da oposição. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, afirmou que nem ele nem o PL poderiam sustentar a existência de fraude eleitoral sem provas. O partido reconheceu oficialmente o resultado da votação.
O episódio abre uma nova etapa de tensão política após a reeleição de Lula. Enquanto o resultado das urnas permanece confirmado pela Justiça Eleitoral, Flávio Bolsonaro insiste em contestar a eleição e anuncia que pretende exercer sua liderança política do exterior, em meio às investigações e aos questionamentos jurídicos que envolvem sua saída do Brasil.
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