Lesão grau 2 pode tirar Neymar Jr da estreia na Copa do Mundo de 2026

Lesão de Neymar liga alerta na Seleção e ameaça presença na estreia da Copa
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Lesão grau 2 na panturrilha pode tirar Neymar da copa (Foto: instagram @neymarjr)

A confirmação de uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha de Neymar acendeu o sinal de alerta na Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo. O atacante, que vinha sendo tratado como uma das principais esperanças do Brasil para o Mundial, precisará ficar afastado das atividades pelas próximas semanas, segundo atualização feita pelo médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, na manhã desta quinta-feira (28/5).

O problema preocupa porque acontece em um momento delicado da preparação. Neymar não sofreu apenas um desconforto simples. Uma lesão grau 2 indica uma ruptura parcial das fibras musculares, situação que exige cautela, tratamento bem conduzido e retorno progressivo aos treinos. No caso de um jogador de alto rendimento, especialmente às vésperas de uma Copa do Mundo, qualquer pressa pode aumentar o risco de uma nova lesão.

Para entender melhor o quadro, fisioterapeutas ouvidos pelo portal LeoDias explicaram que a recuperação depende muito da região da panturrilha atingida. Segundo Caio Bevilaqua, especialista em prevenção de lesões em atletas profissionais, não basta saber que a lesão é na panturrilha. É preciso identificar exatamente qual parte do músculo foi afetada, algo que normalmente é feito por exames de imagem, principalmente a ressonância magnética, considerada uma avaliação essencial nesse tipo de caso.

Lesão grau 2 exige cuidado e pode levar semanas de recuperação

De acordo com Caio, quando a lesão envolve apenas edema ou regiões menos complexas, o prazo de recuperação pode ser mais curto. Porém, se houver lesão estrutural em áreas consideradas mais delicadas, como a aponeurose central ou a transição miotendínea, o tempo de recuperação pode ultrapassar quatro a seis semanas. Esse detalhe é importante porque a Seleção trabalha com um prazo considerado otimista para tentar recuperar Neymar a tempo da estreia.

A fisioterapeuta Renata de Oliveira, especialista em osteopatia, também destacou que o problema merece atenção justamente por envolver um atleta de elite. Segundo ela, uma lesão grau 2 não é a mais grave dentro da classificação muscular, mas representa uma ruptura parcial das fibras, podendo causar dor importante e perda funcional. Em jogadores como Neymar, isso ganha peso ainda maior porque a panturrilha é fundamental para movimentos de explosão, aceleração, salto, frenagem e mudanças rápidas de direção.

No futebol, a panturrilha participa diretamente da mecânica da corrida e da estabilidade do atleta. Ela ajuda a impulsionar o corpo para frente, sustenta movimentos de potência e participa de ações rápidas, características essenciais no estilo de jogo de Neymar. Por isso, qualquer déficit nessa musculatura pode afetar velocidade, potência, equilíbrio e desempenho técnico.

Os sintomas desse tipo de lesão costumam aparecer de forma clara. O atleta pode sentir uma espécie de fisgada, choque ou abertura na região, principalmente durante treino ou jogo. Também são comuns dor localizada, dificuldade para caminhar, dor ao alongar, perda de força, edema e limitação para correr ou impulsionar o corpo. Em um jogador profissional, esses sinais precisam ser avaliados com muito critério.

Prazo otimista aumenta preocupação com risco de recaída

O prazo de duas a três semanas divulgado pela Seleção chamou atenção dos especialistas. Para Caio Bevilaqua, trata-se de uma previsão extremamente otimista. Ele explicou que, para assumir um retorno tão rápido, a equipe médica precisa ter muita segurança de que a lesão é de baixa severidade e atingiu uma região menos nobre da panturrilha. Caso contrário, o processo natural de cicatrização e recuperação do tecido muscular costuma exigir mais tempo.

Renata também vê o prazo com cautela. Ela reconhece que atletas profissionais contam com uma estrutura avançada de recuperação, o que pode acelerar o processo. Ainda assim, em uma competição de alta intensidade como a Copa do Mundo, o retorno precisa ser muito seguro. Uma recaída poderia ser mais prejudicial do que a lesão inicial e comprometer não apenas a estreia, mas toda a sequência do torneio.

Foto de Neymar Jr no Santos FC (Foto: instagram @neymarjr)

A recuperação de Neymar deverá passar por várias etapas. A primeira fase costuma envolver proteção da região e controle da dor, especialmente nos primeiros dias. Depois, entra a mobilização progressiva, seguida por fortalecimento muscular, controle motor e, só então, atividades específicas do futebol. Mesmo que o jogador deixe de sentir dor rapidamente, isso não significa que estará pronto para voltar a competir em alto nível.

Renata reforça que o retorno não depende apenas da ausência de dor. Antes da liberação completa, atletas passam por testes de força, potência, corrida, mudança de direção e segurança biomecânica. Também é preciso avaliar se o músculo suporta movimentos explosivos sem compensações em outras regiões do corpo.

O histórico recente de lesões de Neymar também aumenta a preocupação. Segundo Caio, o histórico de lesão é um dos principais fatores de risco para novos problemas musculares. Lesões recorrentes podem alterar a arquitetura muscular ao longo do tempo e reduzir a capacidade de performance. Se o retorno não for feito com critérios bem definidos, o risco de nova lesão cresce, seja na panturrilha, posterior de coxa, adutores ou quadríceps.

Para Neymar, o desafio agora será vencer o tempo sem atropelar etapas. A pressão por disputar uma Copa do Mundo é enorme, ainda mais para um jogador com sua história na Seleção Brasileira. Mas a prioridade da equipe médica deverá ser garantir que o atacante retorne em segurança, sem colocar em risco o restante da competição.

A situação deixa a presença de Neymar na estreia em aberto e transforma os próximos dias em decisivos. A evolução clínica, os exames de imagem, a resposta à fisioterapia e os testes físicos vão indicar se o camisa 10 terá condições reais de entrar em campo. Até lá, a Seleção Brasileira segue em alerta, sabendo que a recuperação de Neymar pode ser um dos fatores mais importantes da preparação para a Copa.

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